Para abordar a problemática da formação educacional da população negra brasileira frente aos novos desafios do mercado de trabalho, faz-se necessário considerar os nexos entre o hoje e o ontem. Pensar a atualidade considerando os antecedentes históricos de formação da sociedade brasileira, compreendendo-a no movimento na rede de relações que caracterizam o processo de colonização promovido após a invasão portuguesa e os impactos deste processo no Brasil, do mundo globalizado, não significa atribuir a discriminação contra as mulheres negras e os homens negros a uma reprodução mecânica de fatores relacionados à escravidão.
É preciso considerar que profissionalização, qualidade de serviços de educação e acessibilidade a serviços, pelo povo negro, são fundamentais mas não necessariamente suficientes para lidar com a herança atualizada e remodelada da discriminação. Inclusive porque a participação do povo negro na história do Brasil é filtrada pela interpretação dos colonizadores, o que contribui para uma educação para o mercado, para a domesticação, para uma cidadania de consumidores, mas não necessariamente para uma formação crítica e que alimente a dignidade e a auto-estima das crianças e da juventude negras